A nova corrida pelo AUC: o que está por trás da expansão das consultorias de investimentos
- Anderson Timm
- há 6 horas
- 3 min de leitura

O crescimento das consultorias de investimentos em 2026 começa a revelar uma mudança importante no próprio modelo de expansão do mercado. Se nos primeiros ciclos o avanço estava muito ligado à migração de profissionais e à abertura de novas estruturas, agora os principais movimentos parecem surgir da capacidade de construir marca, relacionamento, recorrência e profundidade de serviço. Em comum, muitas das consultorias que projetam crescimento acelerado de patrimônio vêm apostando em canais próprios de distribuição, modelos de remuneração alinhados ao cliente e uma atuação mais ampla em planejamento financeiro e patrimonial.
Dentro desse contexto, o Clube do Valor, liderado por Ramiro Gomes, projeta alcançar R$10 bilhões sob consultoria até o final de 2026, apoiado em uma estratégia que combina modelo fee-based, planejamento financeiro e forte presença em canais próprios de distribuição. A empresa tem utilizado YouTube, redes sociais, conteúdo educacional e posicionamento digital como motores de aquisição e relacionamento, transformando audiência em confiança e confiança em crescimento patrimonial sob consultoria. (InfoMoney, 2026)
Em uma escala diferente, mas dentro do mesmo movimento de expansão, a Fami Capital mira chegar a R$100 bilhões sob custódia até meados de 2027, partindo de uma base de aproximadamente R$75 bilhões. Para isso, a estratégia passa por crescimento orgânico, aquisição de equipes e escritórios e ampliação do relacionamento com o cliente por meio de um ecossistema 360, que inclui wealth management, seguros, câmbio, crédito, investment banking e experiências exclusivas. (InfoMoney, 2026)
Outro movimento que chamou atenção no início de 2026 foi o da Suno, que decidiu encerrar sua estrutura de assessoria vinculada à XP e unificar as frentes de consultoria, assessoria e wealth management sob uma única marca: a Suno Consultoria. A companhia passou a concentrar cerca de R$6 bilhões sob aconselhamento e projeta atingir R$10 bilhões até o final de 2026, apoiando sua estratégia em um modelo fee-based, arquitetura aberta e atendimento multiplataforma.
A reorganização também mostra como algumas casas começam a ampliar sua atuação para além da recomendação de investimentos. A proposta da Suno passa por integrar planejamento financeiro, questões patrimoniais, sucessórias e acompanhamento de longo prazo em uma única experiência de atendimento. Para sustentar esse avanço, a empresa utiliza a força da marca construída em research, conteúdo e educação financeira, além de uma operação que já reúne mais de 100 profissionais e aproximadamente 3.500 clientes. (NeoFeed, 2026)
Na mesma direção, a Ticker Wealth, consultoria ligada a Charles Mendlowicz, o Economista Sincero, atingiu R$1 bilhão sob custódia em março de 2026 e projeta chegar a R$5 bilhões até o primeiro semestre de 2028. A casa combina modelo de taxa fixa, arquitetura aberta, atuação multicustódia e uma metodologia própria, o Portfolio 3X, que organiza o patrimônio em três frentes: ativos imobiliários, negócios/participações e reserva de liquidez e proteção. Com isso, a atuação da consultoria se desloca da simples análise de carteira para uma leitura mais ampla da vida patrimonial do cliente. (Estadão E-Investidor, 2026)
Encerrando a sequência de cases, a Nord Wealth aparece como uma consultoria que já superou a fase de validação do modelo e agora busca escala. Depois de fechar 2025 com R$ 10 bilhões sob consultoria, a casa projeta alcançar R$16 bilhões em 2026 e R$22 bilhões em 2027. O crescimento deve ser apoiado na expansão do B2B, oferecendo estrutura, tecnologia, backoffice, jurídico e inteligência de alocação para consultores parceiros, além da ampliação de serviços mais sofisticados, como wealth planning e corporate solutions. Nesse desenho, a consultoria passa a operar também como plataforma para outros profissionais, e não apenas como prestadora direta de aconselhamento ao investidor. (Estadão E-Investidor, 2026)
AUM em expansão: oportunidade com novos riscosnbsp;
Os cases mostram que o crescimento de AUM das consultorias em 2026 vem sendo impulsionado por uma mudança clara no perfil do investidor e na forma como as empresas se posicionam no mercado. O avanço do modelo fee fixo/fee based, estruturas multicustódia e a ampliação dos serviços de planejamento financeiro, patrimonial e sucessório aparecem como elementos recorrentes entre as consultorias que mais crescem. Ao mesmo tempo, canais de conteúdo, construção de marca, influência digital e relacionamento recorrente passaram a ter papel relevante na geração de confiança e captação de patrimônio. Em muitos dos casos analisados, o crescimento já não depende apenas da distribuição de produtos financeiros, mas da capacidade de transformar autoridade, experiência e atendimento consultivo em relacionamento patrimonial de longo prazo.
Mas esse crescimento também aumenta os riscos. Consultorias que escalam rápido precisam cuidar de falhas de suitability, conflitos de interesse, fragilidade em contratos com clientes, dependência excessiva de poucos consultores, despadronização no atendimento, erros operacionais em múltiplas custódias e ausência de governança interna. Em 2026, crescer AUM será importante, mas sustentar esse crescimento com controle, compliance e estrutura será o verdadeiro teste.




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